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UNIVERSIDADE  FEDERAL  DO  MARANHÃO
DEPARTAMENTO  DE  FILOSOFIA

Inteligência Artificial: Delimitações e perspectivas 

Severino Cadorin
Mestre em Comunicação - Área de informática
 

1 - INTRODUÇÃO

Sobretudo nas duas últimas décadas, cientistas e pesquisadores nas áreas da cibernética e da ciência da computação vêm falando de inteligência artificial, enquanto outros se referem a pensamento artificial, para dizer praticamente a mesma coisa.

Para o leitor, a expressão inteligência artificial poderia sugerir a tentativa de se fazer uma inteligência do homem. Os cientistas e pesquisadores, contudo se propõem algo bem mais limitado: um programa heurístico que possibilite a uma grama processadora de informações digitais demonstrar inteligência.

Por outro lado a tentativa de "fabricar" um ser vivo semelhante ao homem, com as mesmas capacidades, sobretudo as inteletivas, é sonho muito antigo da humanidade, senão tão antigo quanto á própria humanidade. Para citar apenas um exemplo, poderíamos recorrer a René Descartes, que no Discurso do Método descreve hipoteticamente até com detalhes tal intento. A um tempo prevê o avanço portentoso da técnica, bem como seu limite no que se refere ao homem, à sua inteligência. Vejamos:

"E detivera-me particularmente neste ponto, para mostrar que, se houvesse máquinas assim, que tivessem os órgãos e a figura de um macaco, ou de qualquer outro animal sem razão, não disporíamos de nenhum meio para reconhecer que elas não seriam em tudo da mesma natureza que esses animais; ao passo que, se houvesse outras que apresentassem semelhança com os nossos corpos e imitassem tanto nossas ações quanto moralmente fosse possível, teríamos sempre dois meios muitos seguros para reconhecer que nem por isso seriam verdadeiros homens. Desses, o primeiro é que nunca poderiam usar palavras, nem outros sinais compondo-os, como fazemos aos outros os nossos pensamentos. Pois pode-se muito bem conceber que uma máquina seja feita de tal modo que prefira palavras, e até prefira algumas a propósito das ações corporais que causem qualquer mudança em seus órgãos: por exemplo, se a tocam num ponto, que pergunte o que se lhe quer dizer; se em outro, que grite que lhe fazem mal, e coisas semelhantes; mas não que ela se arranje diversamente, para responder ao sentido de tudo quanto se disser na sua presença, assim como podem fazer os mesmos mais embrutecidos. E o segundo é que embora fizesse muitas coisas tão bem, ou talvez, melhor do que qualquer de nós, falhariam infalivelmente em algumas outras, pelas quais se descobriria que não agem pelo conhecimento, mas somente pela disposição de seus órgãos. Pois, ao passo que a razão é u instrumento universal, que pode servir em todas as espécies de circunstâncias, tais órgãos necessitam de alguma disposição particular para cada ação particular; daí, resulta que é moralmente impossível que numa máquina existam bastante diversas para fazê-la agir em todas as ocorrências da vida, tal como a nossa razão nos faz agir". (1)

Considerando-se o estágio atual da física, da química e da neurologia, esta tarefa parece inexeqüível. E, segundo a filosofia e a metafísica tradicionais, ela é impossível. O homem nunca será capaz de produzir algo além de suas forças, nem com material e instrumental de matéria conseguirá produzir algo espiritual.

Este estudo ligeiro não debaterá a problemática que suscita a inteligência artificial, embora merecesse um estudo filosófico profundo exatamente para vislumbrar os limites do poder humano nesta empreitada, mas se aterá aos conceitos emitidos por dois grandes autores sobre o assunto: Pierre Latil e Hubert L. Dreyfus.

De Latil, apenas os conceitos a respeito do automatismo nas máquinas que indicam o que há de inteligente no automatismo. De Dreyfus, o pensamento exposto sobre as tentativas de se conseguir uma inteligência artificial, bem como seus limites.

Os dois autores, um francês e um norte-americano, embora partindo de pontos visões diferentes do problema, chegam a conclusões semelhantes. Ambos não vêem como, ou melhor, se deparam com as dificuldades, hoje vistas como intransponíveis para fazer ultrapassagem para o IV grau de automatismo, segundo Latil, para IV área, segundo Dreyfus.

 2 - AUTOMATISMO INTELIGENTE

Pierre Latil, no livro O Pensamento Artificial, dá uma visão panorâmica sobre o assunto.

2.1 - Conceito de Máquina

Para Latil, "máquina é um sistema fabricado pelo homem para executar uma certa ação quando lhe é fornecida a energia adequada" (2)

A importância da finalidade (o determinismo para a ação específica) da máquina vem ressaltada, pois se não a preencher, deixa de ser máquina. As máquinas, embora, na realidade, possuam um mecanismo relativamente complexo. Até mesmo a tocha – ou máquina de iluminar – possui um carburante, um suporte para o carburante, um comburente, uma ventilação e uma chama – o que constitui uma certa complexidade.

Qualquer que seja a fonte de energia, o mecanismo da máquina não se modifica; isto significa que "a força motriz é independente da máquina" (3)

Para seu funcionamento, a máquina precisa de uma energia de execução e outra de comando. Nas máquinas de entrada simples, a energia de alimentação é a mesma para execução e para o comando. São máquinas de entrada dupla, se a alimentação é feita por duas energias distintas; a energia de execução pode executar a tarefa mediante ordem da energia de comando, ou servir de suporte à energia de comando.

As máquinas podem ser classificadas por vários critérios, mas o importante é classificá-las segundo sua natureza essencial que reside nos "atos de que elas mesmas são capazes, na independência que elas podem adquirir em relação ao homem, em seu automatismo". (4)

A análise feita das várias definições dadas por autoridades ao conceito da automatismo mostra que o elemento na definição "é a distribuição, pela máquina, de sua energia de comando". (5) e não, como se considerava até há pouco tempo, ser a independência da máquina em relação ao homem, porque "a máquina é sempre dependente do homem". (6)

Após tais considerações, Latil chega à seguinte definição, considerada a melhor: "mecanismo automático é aquele que comanda por si mesmo as variações de sua ação no tempo e no espaço, ou mais abstratamente, um mecanismo é automático quando ele mesmo dá informação aos seus órgãos". (7)

Segundo esta definição, várias máquinas podem ser tidas como automáticas. É preciso conhecer o grau de automatismo que cada tipo de máquina consegue realizar. Na escala de Latil existem oito graus. Mas as máquinas atingem apenas o terceiro grau, onde se situam as mais avançadas. "Com o 4º grau assumirá a máquina o comando de seu próprio determinismo? Isso parece absurdo. (...) A cibernética não criou ainda as primeiras máquinas deste grau, mas mostrou a importância capital do seu princípio". (8)

 

 

 
2.2 - Graus do Automatismo

O 1º grau que abrange as máquinas que tem o ato determinado, ou são determinadas completamente para o efeito. Pertencem completamente também ao 1º grau as máquinas de ação variável e detetores, termômetros e barômetros.

O 2º grau compreende as máquinas que fazem "variar seu efeito sem deixar de o determinar à contingência, ou seja, as máquinas determinarão as próprias variações de seus atos". (9). A própria coordenação é que faz uma máquina do 2º grau. Os fatores continuarão variáveis dentro de certos limites precisos. Suas variações são determinadas por um "pré-fator comum" , ou programa, que é estritamente determinado e age como distribuidor da energia de comando.

O 3º grau compreende as máquinas que podem harmonizar seus atos a determinadas circunstâncias, ou seja, seu programa não é totalmente determinado: um ou mais fatores permanecem variáveis; de modo que a máquina modifica seu comportamento segundo a contingência. A máquina é sensível a fatos exteriores, não humanos, que a faz agir de acordo com a finalidade que o homem lhe deu. "A própria máquina avalia a oportunidade de seus atos". (10). Reage à influência de certas condições contingentes. Dizemos que é uma máquina de atos condicionados.

Existe diferença entre 2º e 3º graus. No 2º grau a seqüência das ações não pode sofrer interrupções, nem admitir que ato algum venha a inserir na seqüência, enquanto no 3º grau se admite a sucessão das ações seja interrompida assim que se apresentam certas circunstâncias e torne a funcionar quando se apresentarem outras certas circunstâncias.

No 4º grau de automatismo, a máquina assumiria "o comando de seu próprio determinismo". (11)

 2.3 - Componentes de ação

Para melhor entender os graus de automatismo precisamos ver os componentes da ação, pois são eles os fatores que determinam o grau de determinismo. São os seguintes: uma matéria, um mecanismo, uma finalidade, um determinalismo com vistas a atingir a finalidade, uma oportunidade para decidir qual a ocasião para agir, uma aptidão para agir, a própria ação, uma coordenação para adaptar as ações no espaço e no tempo e uma regulagem para corrigir, se necessário, a todo instante, o que se está fazendo, adaptando ao fim a atingir e às circunstâncias impossíveis.

O homem confia a maior parte de seu poder criador á máquina. Assim ele progride fazendo progredir seus "artificiata" (12), que os torna escravos. E cada vez que eles lhes confia um novo componente de ação, define, ao mesmo tempo, um novo grau de automatismo.

Desta forma vemos o homem que encarrega a máquina de agir no seu lugar (1º grau), depois a encarrega de coordenar suas próprias ações (2º grau) e encarrega-a ainda de apreciar a oportunidade de sua ação (3º grau). Estes são os graus conquistados até o momento.

2.4 - Inteligência na máquina

Segundo Latil, "em todos os graus de automatismo, a máquina age sob certo raciocínio que ela registrou". (13), pois a máquina não raciocina. É o homem quem ordena os silogismos e os coloca em conserva no mecanismo.

No 1º grau a ação raciocinada é mínima. Se for levada à mais alta perfeição, a máquina conseguirá regular fatores de um certo valor para obter determinado efeito. No 2º grau, ela coordena seus atos. Aqui a presença de um pensamento registrado já é bem mais aparente. O homem elabora raciocínios e depois grava-os numa série de eixos e em suas posições angulares. A máquina só é capaz de um único encadeamento de pensamentos, mas seus atos são os mais perfeitos que se podem realizar no estado atual da técnica. (14)

No 3º grau, a máquina integra um pensamento mais complexo: ela comanda uma seqüência de ações já não é irrelutável. Encarrega-se da percepção, graças a subtis detetores mais sensíveis do homem. Quanto ao critério de julgamento é estabelecido uma vez por todas e confiado ao mecanismo. (15)

Ao se atingir o 4º grau – a regulagem – se entraria no campo onde intervém a inteligência, na fase propriamente humana do trabalho: adaptação da obra ao fim que deve atingir e às circunstâncias imprevisíveis que determinam sua execução.

Embora não se tenha ainda construído máquinas do 4º grau, existem tentativas se nos referimos ao homeostato de Ashby.

3 - INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Como pesquisador e crítico, Hubert L. Dreyfus informa que a pesquisa destinada a utilizar computadores digitais para simular o comportamento inteligente tomou o nome de Inteligência Artificial. O programa não visa construir um sistema nervoso artificial, semelhante ao humano, com características de órgãos sensoriais ou de um corpo, mas produzir simplesmente um programa que possibilite a uma máquina processadora de informações digitais demonstrar inteligência.

Também ninguém espera que o robô resultante (ou algo parecido) reproduza todos os comportamentos inteligentes do homem. Basta que seja capaz, nas áreas mais objetivas e descorporificadas do comportamento humano, de ganhar no jogo de xadrez, como por exemplo.

3.1 - Importância e valor da pesquisa

Dreyfus mostra que a importância desta iniciativa justamente no objetivo limitado, comentando que a revolução tecnológica provocada pelos computadores já é considerada superior à revolução industrial. Se as hipóteses sobre a inteligência artificial forem comprovadas, teremos uma revolução conceptual ainda maior – uma modificação de compreensão do próprio homem. Desde que Aristóteles definiu o homem como um animal racional, a razão tem sido considerada como sendo a essência do homem. Se a razão puder ser programada num computador, teremos, então uma compreensão da natureza humana diferente da cultivada pelos pensadores ocidentais por mais de dois mil anos. Por outro lado, se ficar provado que a Inteligência Artificial é impossível, teremos que distinguir a inteligência humana da artificial, o que também modificará radicalmente a visão que temos do homem.

Ainda é muito cedo para uma resposta satisfatória à esta questão. Dreyfus acha que devemos tentar entender até que ponto é possível a Inteligência Artificial, se houver limites para o computador similar o comportamento inteligente, devemos definir tais limites e sua importância. Defende a necessidade de uma crítica à Inteligência Artificial, pois neste particular, como vem acontecendo com as ciências do comportamento de modo geral, existe a tendência natural, porém, infeliz, da "extrapolar" no mínimo de conhecimento que se tem logrado para assuntos de muito maior importância e de grande repercussão social, quando os resultados alcançados até hoje não dão base para tal "extrapolação".

Lembra que em 1957, Simon, um dos pesquisadores (otimistas) da Inteligência Artificial, predisse que o computador dentro de 10 anos seria o campeão mundial de xadrez, que descobriria e provaria um teorema matemático importante e que a maioria das teorias psicológicas tomaria a forma de programas de computador. Observa Dreyfus que os 10 anos passaram em branco. E até 1972, quando publicou seu livro "O que os computadores não podem fazer" (17), a Inteligência Artificial continuava apenas uma promessa e não um fato.

Critica as hipóteses filosóficas implícitas de Simon, Minsky e seus colaboradores, mas não seu trabalho técnico. Os preconceitos filosóficos e a ingenuidade distorcem a própria avaliação de seus resultados, mas, de modo algum, o fato diminui a importância e o valor de suas pesquisas sobre problemas de maior generalidade, tais como, organização de fila de dados e acessos aos mesmos teoremas de compatibilidade. As idéias fundamentais com que eles contribuíram para essas áreas não só mostraram limitadas realizações no campo da Inteligência Artificial, como enriqueceram outras áreas mais florescentes da Ciência dos Computadores.

3.2 - Campos da Inteligência Artificial

Costuma-se subdividir a pesquisa em dois campos: Simulação Cognitiva (SC) e Inteligência Artificial (IA). A divisão levanta duas interrogações interrelacionadas, porém, distintas:

 A evidência descritiva ou fenomenológica mostra que as capacidades humanas não-programáveis estão presentes em todas as formas do comportamento inteligente. Mais ainda, nenhuma evidência empírica em contrário resiste a exame metodológico. Sendo a possibilidade de se conseguir a Inteligência Artificial de natureza empírica, parece que são improváveis maiores e mais significativos progressos na Simulação Cognitiva e na Inteligência Artificial.

Em face dessas dificuldades, se os pesquisadores quiserem justificar seu otimismo devem fornecer provas, isto é, devem provar que apesar das dificuldades, a Inteligência Artificial é possível. Entretanto, a prova apriorística é ainda mais fraca do que a empírica. Os próprios argumentos destinados a provar que a formalização deve ser possível mostram-se incoerentes ou contrários, provando, isto sim, que executando-se algumas hipóteses empíricas improváveis que já foram abandonadas de comum acordo, a formalização é impossível.

Pesquisas mostram que o homem não segue regras rígidas em certos jogos (como xadrez) na resolução de problemas complexos, no reconhecimento de similaridades e semelhanças de categorias, ou no uso de linguagem metafórica ou não gramatical. Vale-se, sim, de uma percepção global, de distinções pragmáticas, de paradigmas e de senso comum da situação de modo a transceder seus significados.

Poder-se-ia levantar a hipótese de que estas atividades, embora aparentemente não normativas, fossem resultado de regras obedecidas inconscientemente. Isto levaria a uma proposição de que todo comportamento deve ser compreendido com o derivado de um conjunto de instruções, ou dito em outras palavras, levaria a regras para aplicação de regras.

Para sair dessa regressão a regras para ampliação de regras, indefinidamente, poderíamos afirmar que, no nível mais baixo, as regras são automaticamente aplicadas sem instruções, pois que não há argumento provado que o comportamento inteligente é produzido segundo regras fixas e formais, tais como as do computador.

Embora não existam provas, quer de psicologia, quer do sucesso obtido por seu trabalho, os pesquisadores da Inteligência Artificial, bem como da Simulação Cognitiva, estão confiantes de que a formalização do comportamento inteligente é exeqüível. Seus argumentos não são explícitos, mas se baseiam na hipótese ontológica de que se pode decompor o mundo em elementos lógicos e na hipótese epistemológica de que a nossa compreensão do mundo pode ser reconstruída se combinarmos esses elementos de acordo com regras heurísticas.

A primeira afirmativa oferece uma certa probabilidade. Mesmo não estando empenhado em caracterizar o ser humano e de modo diferente do psicológico cognitivo, não tem dificuldades em identificar os bits básicos aos quais se aplicam as regras. A Segunda afirmativa, de que os elementos podem ser reagrupados, esbarra numa regressão a regras de ordens cada vez mais elevadas, o inverso das regras enfrentado pelos pesquisadores da Simulação Cognitiva.

A hipótese epistemológica considera cada elemento lógico independente dos demais. Contudo sabemos que não terá significância enquanto não for relacionada aos demais elementos. Agora, cada elemento possuí diversas interpretações, de acordo com as diferentes regras, sendo que o contexto vai determinar qual regra deve ser aplicada. Para o computador, porém, o contexto vem reconhecido apenas por uma regra ou um número limitado.

Por exemplo, para determinar a importância de objetos e de expressões relativas à palavra faca, devemos saber se estamos num contexto doméstico, médico, bélico ou outro. Somente dentro de tais contextos a presença de faca se torna relevante e significante. Estabelecido o contexto, ele poderá ser utilizado para interpretação de objetos e expressões, determinando subcontextos. Assim a presença de faca num contexto doméstico lembrará normalmente um subcontexto de alimentação, no qual os objetos e expressões podem ser esclarecidos como tendo relação com o ato de comer e não de agredir.

Essas considerações se apóiam numa teoria geral da experiência humana que os fatos vêm sempre previamente interpretados. A teoria defende também que a situação básica, onde se encontram os homens, depende dos objetivos que estão em função do corpo e de suas necessidades, as quais, por sua vez, não fixas, mas interpretadas e determinadas pela aculturação e pelas modificações de auto-afirmação humana.

Isto não significa que as crianças não comecem por certas reações fixas. Do contrário o processo de aprendizagem não se iniciaria. Contudo, tais reações são ultrapassadas e abandonadas durante o processo de maturação, não permanecendo no ser humano adulto nenhuma reação que não esteja sob controle da significância da situação.

Seria possível programar computadores que se comportassem como crianças no desenvolvimento da inteligência? A questão ultrapassa o conhecimento atual na psicologia e das modernas técnicas dos computadores com a inteligência desenvolvida esbarra nas dificuldades empíricas e nas contradições conceituais fundamentais, já mencionadas. O computador-criança, para que possa começar com reações independentes de situação e, pouco a pouco, possa aprender, vai depender do desempenho que obtiver em responder às necessidades indeterminadas e às representações de contexto global no processo de aprendizagem.

"Os computadores só podem trabalhar com fatos, mas o homem – fonte dos fatos – não é um fato nem um conjunto de fotos, mas um ser capaz de, no seu processo de vivência no mundo, criar a si próprio e o mundo dos fatos. Este mundo humano, com seus objetivos reconhecíveis visa a satisfação de suas necessidades físicas. Não há razão de supor que um mundo, organizada em função dessas capacidades humanas fundamentais, possa ser criado por outros meios" (18)
 

 
 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

(1) DESCARTES, René. Discurso do Método. Cap. V. In Os Grandes Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, Vol. XV, 1973, p.68
(2) LATIL, Pierre de. O Pensamento Artificial. 3 ed. São Paulo: IBRASA, 1973. p.38
(3) ibidem p. 39
(4)  ibidem p. 42
(5)  ibidem p. 45
(6)  ibidem p. 45
(7)  ibidem p. 45
(8)  ibidem p.54
(9)  ibidem p. 47
(10)  ibidem p. 49
(11)  ibidem p. 54
(12)  ibidem p. 53
(13)  ibidem p. 50
(14)  ibidem p. 51
(15)  ibidem p. 51-52
(16) DREYFUS, Hubert. L. O que os computadores não podem fazer. Rio de Janeiro: Eldorado, 1975 p.31
(17) DREYFUS, Hubert. L. Op. cit.
(18) ibidem p. 291
(20) ibidem p. 291
(21) ibidem p. 293 


Trabalho publicado na revista Filosofia em Revista 85.3-4